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Sem terras ocupam fazenda de Silval Barbosa, são ameaçados e denunciam esquema de venda de terras

Da Redação – Wesley Santiago

Membros da Ação Nacional Unificada (ANU), grupo fruto da união de vários movimentos de trabalhadores rurais sem terra, ocuparam a Fazenda Serra Dourada, próximo a Peixoto de Azevedo, no último dia 25 deste mês. Segundo o coordenador do movimento, Wendel Girotto, eles descobriram que a terra, que pertence ao ex-governador Silval Barbosa, seria do Estado. “Sendo assim, ele estaria pagando a dívida dele com a terra que já é do Estado”.

“Nós começamos essa mobilização para ocupar essa fazenda do Silval, que ele devolveu como pagamento para a Justiça. Chegamos aqui entre os dois 25 e 26 de dezembro e começamos a assentar. Descobrimos que esta área era da União e virou do Estado após um decreto presidencial. Porém, o ex-governador teria tomado isso aqui pra ele”, disse Wendel ao Olhar Direto.

Segundo o coordenador, a área fazenda, que foi usada pelo ex-governador para pagar sua dívida, seria pública: “Se isso for verdade, o Silval Barbosa está pagando dívida dele com a terra do próprio Estado. É um absurdo isso, mais uma coisa que aparece dele. Estamos requerendo esta área para assentamento, já que é fruto de dinheiro de corrupção”.

Ao todo, são 300 famílias que estão no local, sendo que todas são de Mato Grosso e também do Pará. A tendência é que elas permaneçam por tempo indeterminado no local.

Além disto, o coordenador ainda conta que chegaram denúncias sobre um possível esquema de venda de terras no local. Um funcionário do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) e um advogado, que não tiveram os nomes divulgados, estariam vendendo terras para pessoas da região, com valores entre R$ 3 mil e 10 mil. “As pessoas chegam aqui procurando e ficam sabendo que foram enganadas”.

Um boletim de ocorrências foi registrado na Polícia Judiciária Civil (PJC) por conta de ameaças que os sem terra teriam recebido de algumas pessoas. Eles ordenaram que os integrantes do movimento deixassem a área “para evitar mortes”.

Fonte: Olhar Direto

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